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Lula levou ensino superior para fronteira sul do país

23/03/2018 00:34

Universidade Federal da Fronteira Sul, campus de Passo Fundo. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Por Pedro Sibahi, da redação da Agência PT de notícias , enviado especial ao Rio Grande do Sul

A região da Grande Fronteira Mercosul, que abarca o oeste do estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por décadas reclamava a implementação de universidade federais na região, mas foi só com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007, que essa antiga demanda começou a ser atendida, com a criação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Nesta sexta-feira (23), o ex-presidente visita o campus de Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul como parte das atividades de  Lula pelo Brasil, que neste mês percorre os estados da região sul. 

Com uma estrutura multicampi, a UFFS possui sede em Chapecó (SC), além de outros cinco campi: Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e mais Laranjeiras do Sul e Realeza, no Paraná.

Ao todo, a universidade oferece mais de 2 mil vagas em cerca de 40 cursos de graduação, além de quatro cursos de especialização, 11 mestrados e dois doutorados inter-institucionais.

Um dos grandes destaques da UFFS é que, desde o seu primeiro processo seletivo, favoreceu o ingresso dos alunos vindos da escola pública. A universidade aplicou aplicou índices de acréscimo de 10%, 20% ou 30% à nota do ENEM, dependendo da quantidade de anos do ensino médio cursados na rede pública.

A partir de 2013, com a nova lei de reservas de vagas em federais (Lei nº 12.711/2012), a universidade promoveu uma verdadeira revolução, reservando em torno de 90% das vagas na graduação para estudantes que cursaram o ensino médio exclusivamente em escola pública.

Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, fica um dos cursos modelos da UFFS, de medicina. O campus recebe o ex-presidente Lula nesta sexta (23).

Diferentemente da maioria das graduações na área, lá o aluno tem contato com o atendimento primário e com comunidades da região desde o primeiro ano de faculdade.

O sucesso do curso de Passo Fundo se traduz na nota do Índice Geral de Cursos do MEC, que é 4 de 5, além do ótimo desempenho na Avaliação Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem), que ficou em 102 pontos, sendo que a nota média nacional foi 100 e a nota média da região sul foi 101.

Kamilla Ferreira/Agência PT

Julio Cesar Estobbe, coordenador do curso de Medicina em Passo Fundo

“Fomos o último curso a ser colocado no programa de expansão [das Universidades Federais] e fomos o primeiro curso a iniciar as atividades”, relembra o médico e coordenador do curso de Medicina, Julio Cesar Estobbe.

Hoje, a UFFS em Passo Fundo conta com 280 alunos no curso e 60 professores, de acordo com Estobbe. Mais de 200 alunos já estão nos programas de residência médica, em parceria com hospitais e municípios, o que gera uma economia de R$ 12 milhões por ano, que os hospitais deixam de gastar com pessoal.

“É importante salientar que nosso curso tem alunos egressos com perfil humanitário, comprometidos com a comunidade de Passo Fundo, com a comunidade regional e principalmente com o Sistema Único de Saúde”, destaca o coordenador do curso.

“Para que ele seja dessa maneira, iniciamos, desde o primeiro semestre, desde os primeiros dias de aula, os programas de imersão. Programas de imersão nas comunidades de pequenos municípios, em Passo Fundo, em populações das periferias, e também com populações em territórios indígenas, em territórios de quilombolas, em assentamentos, justamente para que o aluno tenha o contato inicial humanitário e com a comunidade onde realmente se necessita de assistência medica mais forte”, explica o coordenador do curso.

Ele também destaca que o ensino da medicina se dá de maneira integrada com as outras áreas da saúde, como a enfermagem, fisioterapia e também o serviço social, para que tenha uma visão integrada dos processos de saúde.

Kamilla Ferreira/Agência PT

Janaína Cossetim veio de escola pública e estuda medicina em Passo Fundo

Uma dessas alunas é Janaína Cossetim, 24 anos, de Ajuricaba, no interior do estado, aluna de escola pública. “Medicina sempre foi um sonho para mim, desde criança eu falava que queria ser médica, desde pequena eu estudei bastante para realizar esse sonho porque eu sabia que não ia ser fácil”, relata.

“O ensino público nunca foi uma prioridade dos governos antes do PT entrar no governo federal”, afirma a jovem. “Por meios de movimentos sociais fizemos vários atos pela universidade pública federal, não só pelo curso de medicina, mas por vários cursos que não tinha em universidade públicas na nossa região. Foram feitos abaixo assinados, atos públicos, até que a gente conquistou a universidade pública aqui”, relembra.

“Para mim estudar na UFFS é uma grande conquista, não só por conseguir fazer o curso de medicina, mas pelo orgulho que a gente tem por trás de toda a luta que tem por trás dessa universidade, então é um orgulho duplo estar aqui. É gratificante ver as pessoas que antes não tinham acesso a uma universidade pública estarem aqui cursando medicina em uma universidade com mais de 90% de cotas”, celebra a estudante.

Janaína também elogia a metodologia do curso de medicina, por colocar os alunos em contato com os pacientes desde o início e conhecer a realidade da região. “Isso é um grande avanço em um curso de medicina e a UFFS foi pioneira nisso, é um projeto inovador que está revolucionando o ensino da medicina. Nós já estamos vendo os resultados, nos sentimos mais preparados para conversar com as diversas populações desse país tão rico em diversidade”.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos estados do Sul do país, em março, é a quarta etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país nos meses seguintes. No segundo semestre de 2017, Lula percorreu todos os estados do nordeste, o norte de Minas Gerais, o Espírito Santo e o Rio de Janeiro.

O projeto Lula Pelo Brasil é uma iniciativa do PT com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos do PT e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista.

Por Pedro Sibahi, da redação da Agência PT de notícias, enviado especial ao Rio Grande do Sul